Projeto Social arrecada mais de 30 mil quilos de alimentos mensalmente e distribuí à instituições
Safira Caetano
Fundada em 1998, por Luciana Chinaglia Quintão, a ONG Banco de Alimentos tem o intuito de combater a fome e o desperdício de alimentos. "No Brasil, há um descaso enorme em relação aos recursos, que todos sabemos ser limitados", diz a economista em um artigo de sua autoria.
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A maior perda de alimentos é no segmento dos hortifrutis (Foto: Banco de Dados - ONG) |
O trabalho da ONG funciona da seguinte forma: São arrecadados alimentos que estão em bom estado e qualidade, mas que não foram vendidos, assim que recolhido é distribuído pra onde falta sustento. Além de fornecer alimentos de boa qualidade para mais de 40 instituições (cerca de mais de 22 mil pessoas, 30 mil quilos de alimento por mês), o projeto oferece palestras com dicas de como evitar o desperdício, e cursos para aproveitar melhor os alimentos, desde a polpa e semente à casca e talo.
Segundo os dados levantados pela FAO, o Brasil joga no lixo 26,3 milhões de toneladas por ano. A maior perda é o de hortifrutis, em que 45% vão parar na lixeira. De acordo com a EMBRAPA, o desperdício já está presente desde o campo, totalizando 10% nesse setor, no transporte e no manuseio mais 50 %, 30% na comercialização e abastecimento, e 10% varejo e consumidor final.
Confira na íntegra a entrevista concedida por Luciana Quintão, economista com formação antroposófica, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos. A economista conquistou o Prêmio PNBE de Cidadania – Categoria “Entidade de Destaque”, em 2002 e outros.
Quando surgiu a ideia de criar a ONG Banco de Alimentos?
Sempre fui muito preocupada com meu entorno e com questões mais amplas. Pensava muito à respeito e ajudava como podia pessoas mais próximas, mas continuava muito incomodada. Quando eu tinha 36, 37 anos me perguntei se ia só continuar pensando ou se ia fazer algo maior efetivamente. Segui então o caminho de atuar por um bem maior, colocando-me a serviço da questão dos alimentos.
Quando deu início ao projeto, imaginou que algum dia conquistaria o primeiro lugar do Prêmio Betinho da Cidadania?
Não, quando comecei não pensava em prêmios. Nunca pensei em crescer tanto. Me sinto muito honrada por este prêmio, em especial, por ter meu nome associado a uma pessoa tão maravilhosa como o Betinho.
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Luciana Quintão, fundadora e presidente da ONG (Foto: Banco de Dados - ONG) |
Houve algum momento de muita dificuldade que tenha pensado em desistir do projeto?
Desistir não, mas gostaria de vê-lo independente, ser autossustentável. Não poder mais fazer, não significa desistir. Porém, não se pode negar que existem muitas dificuldades. Agora mesmo, com o quase fim dos repasses da Nota Fiscal Paulista, corremos grande perigo de fechar as portas, ainda estamos em uma situação muito crítica.
Vocês acreditam que a influência das redes sociais contribuem para o trabalho da ONG? Por que?
Pelo alcance das mesmas, tanto podemos mandar informações, quanto receber informações. Podemos falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar, desde que esteja conectada. Os custos também são mais baixos do que outras formas de comunicação. O desafio é a qualidade do vínculo que irá se formar e os resultados dos mesmos.
Qual a maior dificuldade que vocês enfrentam diariamente no trabalho?
Entrada de recursos financeiros. Trabalhamos com insegurança alimentar, que não é beneficiada nem com leis de incentivo, nem com convênios federais, estaduais ou municipais. Temos que ir à luta!
Qual a maior alegria?
A primeira é ver os sorrisos de mães e de crianças, jovens e velhos que são atendidos pelas instituições parceiras da ONG, e a segunda é ter doado mais de 6 mil toneladas de alimentos, em 16 anos, e saber o quanto isso significa para cada uma das pessoas que ajudamos.
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