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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Food trucks mudam a cara da comida de rua

"Gourmetização" do segmento trouxe qualidade para os clientes e agregou valor à marca 

Michael Lopes

A nova febre entre os empreendedores brasileiros são as comidas de rua ‘gourmetizadas’, hoje, popularmente chamadas por food trucks, nomenclatura inspirada nos trailers de comida norte-americanos.

A comida de rua tinha um “dogma” de comida barata e de baixa qualidade. Porém, em 2008, em meio à crise econômica, muitos restaurantes norte-americanos e europeus fecharam as portas. Os chefs de cozinha viram neste segmento de rua uma saída para a crise, agregando valor e oferecendo pratos requintados, a um custo menor que o praticado em um restaurante.

Os food trucks ganharam força no Brasil, especialmente em São Paulo, em 2014 com a publicação da Lei 15.974/2013 que regulamentou a comercialização de alimentos em veículos automotores. Hoje, a capital paulistana já conta com mais de 600 food trucks em atividade, além dos food parks, são parques de alimentação a céu aberto que vendem comidas sobre rodas.

Só Coxinhas

Trailer do food truck "Só Coxinhas" (Foto: Reprodução)
A popularidade das coxinhas não está mais restrita as salgaterias, padarias e botecos. O food truck “Só Coxinhas” oferece o salgado mais popular do Brasil em copos, nos sabores tradicionais de frango e queijo, e as inovadoras coxinhas doces, feitas com massa de churros recheados com doce de leite e nutella.

Vlad Mello, um dos sócios do negócio, em entrevista ao portal UOL, disse que a maior preocupação do “Só Coxinhas” é que “o produto tem que chegar com qualidade na mão do cliente”, e ainda complementa dizendo que a ideia dele e dos sócios não era investir na coxinha e sim comercializar um produto de fácil manuseio. “As coxinhas são congeladas, e se acontecer de chegarmos em algum ponto sem movimento, não há risco de prejuízo", completa.

O food truck roda o Brasil oferecendo suas coxinhas, e os itinerários estão disponíveis nas redes sociais da empresa.

Fabiana Lopes, estudante de administração, aproveitou seu tempo de intervalo de aula e estava levando algumas coxinhas para seus colegas de sala. “Sempre segui eles no Facebook, e, por coincidência, eles vieram aqui pro Tucuruvi. Aproveitei a oportunidade para conhecer e comer muito”, relata.

Com preços que variam de 6 a 20 reais, o “Só Coxinhas” aceita pagamentos com cartão de débito, crédito e vale refeição.

Curso de gastronomia ganha popularidade entre os jovens

Realities culinários tem sido um dos principais motivos pelo interesse do curso


Karla Lima

O aumento da procura pelo curso de gastronomia nos últimos anos alcançou um forte espaço e influência no cenário cultural, conquistando cada vez mais a cabeça dos jovens. Mas, o que será que motiva os jovens com tantas outras opções no mercado?

Baseados em um dado bastante promissor referente ao mercado, 98% dos alunos se formam com emprego garantido e o salário inicial de um auxiliar de cozinha gira em torno de mil reais.

O prato preferido do jovem é CheeseCake (Foto: Karla Sthefany)
Um bom exemplo é o estudante Gustavo Rebouças, de 18 anos, que faz curso técnico de gastronomia há dois anos e conta que todos fazem um pouco de tudo por lá, aprendendo desde as histórias dos cortes e como são feitos os alimentos, fabricação e colheita destes.

Ele conta que seu interesse pela cozinha tomou forma quando pensou na satisfação das pessoas ao experimentarem sua comida. “Sempre gostei de deixar as pessoas felizes com o que eu faço e sempre fui apaixonado por comida. Quis aprender a fazer, e agora eu tenho a oportunidade de aprender tudo”.

Segundo o estudante, sua maior inspiração é seu professor. “Um verdadeiro exemplo de chef que o mundo tem hoje”, ressalta. “Também é uma pessoa muito boa fora da cozinha, mas dentro, todo o Chef tem que impor regras no cargo, como ele sempre fala: "Serviço é serviço, brincadeira só fora do trabalho”. O jeito que ele fala, age e tudo mais, isso me inspira muito.”

Sobre seus sonhos, ele deixa claro “Tenho vários, mas quero conhecer a Europa inteira, os Estados Unidos, ter meu próprio restaurante e uma carreira conhecida”.

Seu professor de curso é sua maior inspiração de Chef (Foto: Karla Sthefany)

Gustavo deixa um conselho para quem deseja seguir a carreira: “Siga essa profissão, pois cozinhar é a melhor coisa do mundo, uma das melhores sensações. Você se sente livre na hora de cozinhar, mas não tem que ter só paixão para trabalhar nesse ramo, tem que estar sempre disposto e ouvir muita bronca, xingamentos e muita humilhação porque você vai entrar na cozinha como um mero mortal, e para eles você tem que se destacar em tudo porque não vai ter quase ninguém para te ajudar lá. Essa é a vida na cozinha.”