quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Número de vegetarianos cresce no Brasil

Cerca de 8% da população brasileira afirma ser adepta do estilo


Gabriel Freitas

Os vegetarianos sempre foram conhecidos por manter hábitos culinários saudáveis. Isso nunca gerou dúvidas. A grande novidade é que o número de adeptos a este estilo de vida vem crescendo fortemente. Segundo uma pesquisa do IBOPE, mais de 15 milhões de pessoas declararam-se vegetarianos no país, o equivalente a 8% da população brasileira.

Saladas são as preferidas dos vegetarianos
(Foto: Gabriel Freitas)
Muito se pensa sobre qual o principal fator que influencia uma pessoa a tornar-se vegetariana. É possível chegar à conclusão de possíveis motivos que mudam o jeito de uma pessoa pensar sobre sua alimentação, tais como: sua saúde, seu gosto e até a preservação do meio ambiente e dos seres vivos.

Um estudo publicado no periódico JAMA Internal Medicine mostra que os vegetarianos têm um risco de 15% menor de morte do que as pessoas que se alimentam de carnes. A pesquisa ainda revela que os pesco-vegetarianos (que também comem peixe) têm um risco 19% menor de morte.

A análise destaca que os vegetarianos tendem a possuir certas características: são casados, altamente escolarizados, mais velhos e magros. Eles se exercitam mais, não fumam e nem bebem, fatores que também podem explicar essa maior longevidade.

Segundo a fisioterapeuta, e vegetariana, Beatriz Brito, a razão dos vegetarianos viverem mais é bem clara: “Os vegetarianos buscam fonte de nutrição em outros alimentos para suprir a falta da carne. Com isso, acaba tendo uma vida mais saudável, pois se forma uma variedade maior de alimentos saudáveis para o próprio corpo”.

Tomate é rico em vitamina C
(Foto: Gabriel Freitas)
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde divulgou que as carnes processadas são produtos carcinogênicos, ou seja, que causam câncer, e que as carnes vermelhas são produtos “provavelmente carcinogênicos”, aumentando ainda mais as certezas dos benefícios de refeições naturais.

Para o proprietário do restaurante Apfel, Carlos Beutel, ser vegetariano é uma forma de estar bem com a natureza e, seguidamente, com a própria vida. “No meu tempo, a gente empregava a paz, mas como podemos ter paz se matamos os animais?”, indaga.
Alface é uma excelente
fonte de vitaminas e minerais
(Foto: Gabriel Freitas)

Marco Antonio, representante da CPB (Casa Publicadora Brasileira), e cliente do restaurante Apfel, diz que começou a ser vegetariano por questões de saúde, mas, com o decorrer do tempo, notou também a importância da preservação dos animais. “O animal sofre muito quando vai para o abatimento, isso passa para a carne, mas também, se aprofundarmos as razões por nos tornarmos vegetarianos, passamos a preservar tudo o que tem vida, todo ser vivo merece viver.”

De fato, os fatores que levam uma pessoa a se tornar vegetariana são muitos, em sua grande maioria buscando a preservação dos animais e seu próprio bem-estar. São motivos pessoais, mas que contribuem bastante para a saúde, tanto humana, quanto da natureza.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Marechal Food Park é o maior espaço de food truck da América Latina

Local é próximo à saída da estação Marechal Deodoro, com 4.000m²


Leonardo Machi

Food Bike: novo equipamento no evento
(Foto: Leonardo Machi)
O empreendimento abre as portas para o maior evento de food park da América Latina. Um parque de alimentação dinâmico com barracas, trailers e outros veículos a céu aberto em São Paulo, próximo à estação de Metrô Marechal Deodoro, com muita comida de rua e preços variáveis. O evento também conta com o equipamento Food Bike (comida de rua vendida em bicicleta). 

No Brasil, o movimento ganha força em 2014, começando por São Paulo, com a publicação da lei 15.947/2013 que regulamentou a venda de alimentos em veículos automotores ou comida sobre rodas.

Food truck é a versão moderna das antigas kombis de pastel e das vans de cachorro quente. A ideia não é exatamente nova, virou agora um modismo saboroso em versões descoladas, decoradas e saborosas com cerca de 30 maneiras de satisfazer a clientela com containers, trucks, trailers e até bicicleta, além de expandir para 40 opções gastronômicas até a virada de ano.

Paulo que já trabalha com food truck há um ano e meio, e chefe do “Big Burguer”, diz que o empreendimento mudou sua carreira e rotina. “Este movimento me ajudou financeiramente e minha mente. No começo, foi difícil, mas, hoje vendo em média de 140 ou 160 lanches por dia, é muito bom e inovador.”

O movimento de comida sobre rodas ganha popularidade principalmente pelos paulistanos trabalhando, estudando e lutando na correria. Empreendedores e clientes comemoram este sucesso pela adaptação e concorrência com as principais feiras gastronômicas de São Paulo, sendo assim tiveram a ideia de levar comida de qualidade pra rua, investindo pouco.

Local é um ótimo ambiente para lazer
(Foto: Leonardo Machi)
Desta maneira, surgiu a popularização em 2012, chegando às grandes cidades do Brasil e se popularizando cada vez mais. Os parques de food truck já fazem parte da rotina de turistas e principalmente dos paulistanos. A única desvantagem, segundo paulistanos e funcionários, é a questão do clima, por ser ambiente aberto. “Apenas, posso reclamar da chuva, que afasta os clientes”, conclui Paulo.

O espaço funciona de terça a domingo, das 11 da manhã às 9 da noite.




       Acompanhe abaixo um vídeo sobre um pouco mais do Marechal Food Park:



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Concorrência entre restaurantes e fast-foods está sendo desleal

74% dos brasileiros preferem fast-foods a restaurantes tradicionais


Safira Caetano

Em Leme, interior de São Paulo, vários restaurantes enfrentam a realidade de que atualmente estão perdendo clientes para as redes de fast-foods das cidades vizinhas. De acordo com a ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). 74% dos brasileiros preferem fast-foods a restaurantes tradicionais.

Rua dos trailers de lanches (Foto: Safira Caetano)
A pesquisa revela que 65% dos entrevistados escolhem o sabor como fator principal para consumo desses alimentos, 12% pelas variedades de pratos e 10% pela rapidez. Apenas 5% escolhem os fast-foods com base no preço e na localização.

Fatima de Lores, chef de cozinha e proprietária do Restaurante Jeitinho Brasileiro, trabalha há mais de uma década no ramo da gastronomia, e ao ser questionada sobre enxergar as redes de fast-foods como inimigo, afirma: “A concorrência está sendo desleal. Aqui, na cidade de Leme, as pessoas preferem aos finais de semana ir nos fast-foods das cidades vizinhas”. Há vários restaurantes no município e os famosos trailers de lanches, que são muito comuns e também abrem concorrência, não existem na cidade. Por esse motivo, os lemenses recorrem as cidades mais próximas como Araras e Limeira.

Fatima diz que seu melhor investimento no momento são as saladas e grelhados. Agora também está oferecendo opções de comida vegetariana no cardápio. Segundo ela, suas melhores épocas foram há 10 anos, quando as pessoas tinham mais tempo para apreciar uma boa comida. Agora as pessoas não prestam atenção no que estão comendo, estão mais preocupados em mexer no celular e não sentem mais o gosto do que estão comendo.

Confira abaixo a entrevista com a chef Fatima


Fatima de Lores é chef de cozinha há
 mais de uma década (Foto: Safira Caetano)
Qual foi sua primeira experiência na cozinha?
Experiência mesmo foi com uns 15 anos, para fazer a vontade de meu padrinho, fazendo um pato ao vinho. Que fiasco! Esse pato não amolecia. O que era para o almoço ficou para a janta. (risos) Mas, na realidade, comecei fazendo brigadeiro, bolo e pão de ló, com aproximadamente 10 anos.

Sempre quis cozinhar?
Sim. As brincadeiras de criança sempre foram fazer comidinha. Começou daí.

Enxerga as redes de fast-food como inimigo dos restaurantes?
As pessoas estão preferindo fast-food. Talvez, se habituaram. Agora, chegou por aqui a febre de salgadinho no copo. Logo que abriu esse estabelecimento, foi de assustar o quanto diminuiu as vendas no restaurante.

Como é a concorrência em uma cidade pequena?
Aqui a concorrência é grande. Muitos restaurantes, trailers de lanches, lanchonetes e também os delivery's, que é facilitado pelas redes sociais. Também há as 'febres' que sempre atacam a cidade. Quero dizer o que com febre? A cidade parece que vive de points. Sempre abre um restaurante ou lanchonetes que sobrevivem alguns meses. Se abrir, digamos, 5 pontos, após 6 meses vai diminuindo e, ao final de um ano, a grande maioria acaba.

Houve melhores épocas?
Sim, até uns 10 anos atrás ainda era bom. Parece que as pessoas tinham mais tempo para apreciar uma boa comida. Hoje, para sobreviver, temos que sempre inventar algo novo, criando opções, fazendo promoções.

Qual seu maior investimento no momento, para continuar crescendo, adquirir novos clientes e mantê-los fiel?
No momento estamos investindo em saladas e grelhados, e colocando opções de comida vegetariana. 100% vegetal no cardápio.

Você tem um espírito empreendedor?
Acho que sim, senão, não estaria há mais de uma década nesse ramo. Criando e recriando.

Quais chefs te servem de inspiração e por quê?
Para falar a verdade, nenhum chef me serve de inspiração. Apenas acompanho tudo que posso seja de qual for, e aproveito o que acho realmente bom para o meu dia a dia.

Dê um conselho para os nossos leitores, e apaixonados por culinária?
Sempre que resolver ir para a cozinha, esteja de bem consigo mesmo. Saiba o que está querendo criar, tenha produtos de primeira linha em mãos, e deixe seu olfato te guiar. O olfato é um dos melhores aliados ao nosso paladar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ONG Banco de Alimentos combate à fome e o desperdício

Projeto Social arrecada mais de 30 mil quilos de alimentos mensalmente e distribuí à instituições


Safira Caetano

Fundada em 1998, por Luciana Chinaglia Quintão, a ONG Banco de Alimentos tem o intuito de combater a fome e o desperdício de alimentos. "No Brasil, há um descaso enorme em relação aos recursos, que todos sabemos ser limitados", diz a economista em um artigo de sua autoria.

A maior perda de alimentos é no
segmento dos hortifrutis
(Foto: Banco de Dados - ONG)
O trabalho da ONG funciona da seguinte forma: São arrecadados alimentos que estão em bom estado e qualidade, mas que não foram vendidos, assim que recolhido é distribuído pra onde falta sustento. Além de fornecer alimentos de boa qualidade para mais de 40 instituições (cerca de mais de 22 mil pessoas, 30 mil quilos de alimento por mês), o projeto oferece palestras com dicas de como evitar o desperdício, e cursos para aproveitar melhor os alimentos, desde a polpa e semente à casca e talo.

Segundo os dados levantados pela FAO, o Brasil joga no lixo 26,3 milhões de toneladas por ano. A maior perda é o de hortifrutis, em que 45% vão parar na lixeira. De acordo com a EMBRAPA, o desperdício já está presente desde o campo, totalizando 10% nesse setor, no transporte e no manuseio mais 50 %, 30% na comercialização e abastecimento, e 10% varejo e consumidor final.

Confira na íntegra a entrevista concedida por Luciana Quintão, economista com formação antroposófica, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos. A economista conquistou o Prêmio PNBE de Cidadania – Categoria “Entidade de Destaque”, em 2002 e outros.


Quando surgiu a ideia de criar a ONG Banco de Alimentos?
Sempre fui muito preocupada com meu entorno e com questões mais amplas. Pensava muito à respeito e ajudava como podia pessoas mais próximas, mas continuava muito incomodada. Quando eu tinha 36, 37 anos me perguntei se ia só continuar pensando ou se ia fazer algo maior efetivamente. Segui então o caminho de atuar por um bem maior, colocando-me a serviço da questão dos alimentos.

Quando deu início ao projeto, imaginou que algum dia conquistaria o primeiro lugar do Prêmio Betinho da Cidadania?
Não, quando comecei não pensava em prêmios. Nunca pensei em crescer tanto. Me sinto muito honrada por este prêmio, em especial, por ter meu nome associado a uma pessoa tão maravilhosa como o Betinho.

Luciana Quintão, fundadora e
presidente da ONG
(Foto: Banco de Dados - ONG)
Houve algum momento de muita dificuldade que tenha pensado em desistir do projeto?
Desistir não, mas gostaria de vê-lo independente, ser autossustentável. Não poder mais fazer, não significa desistir. Porém, não se pode negar que existem muitas dificuldades. Agora mesmo, com o quase fim dos repasses da Nota Fiscal Paulista, corremos grande perigo de fechar as portas, ainda estamos em uma situação muito crítica.

Vocês acreditam que a influência das redes sociais contribuem para o trabalho da ONG? Por que?
Pelo alcance das mesmas, tanto podemos mandar informações, quanto receber informações. Podemos falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar, desde que esteja conectada. Os custos também são mais baixos do que outras formas de comunicação. O desafio é a qualidade do vínculo que irá se formar e os resultados dos mesmos.

Qual a maior dificuldade que vocês enfrentam diariamente no trabalho?
Entrada de recursos financeiros. Trabalhamos com insegurança alimentar, que não é beneficiada nem com leis de incentivo, nem com convênios federais, estaduais ou municipais. Temos que ir à luta!

Qual a maior alegria?
A primeira é ver os sorrisos de mães e de crianças, jovens e velhos que são atendidos pelas instituições parceiras da ONG, e a segunda é ter doado mais de 6 mil toneladas de alimentos, em 16 anos, e saber o quanto isso significa para cada uma das pessoas que ajudamos.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Comida asiática é a campeã no paladar dos paulistanos

É a primeira vez que a culinária oriental ultrapassa a tradicional comida italiana, que segue em 2º lugar

Paloma Amaral

Os paulistanos preferem a comida asiática na hora de escolher um restaurante, é o que mostra uma pesquisa feita, entre agosto e setembro de 2015, pelo Grubster - aplicativo de reservas online em parceria com a Hello Research, agência especializada em pesquisa de mercado. A amostra foi de 800 paulistanos de todos os perfis demográficos. 

Pela primeira vez, a culinária oriental ultrapassa a tradicional italiana, que segue em 2º lugar no paladar na capital. A diferença é mínima: 22% preferem os peixes asiáticos, contra 21% das massas italianas.

Combinado de Sushi e Sashimi, composto de Sasaki, Nacho
e Salada Sunomono, como acompanhamento. (Foto: Paloma Amaral)
A preferência pode ser pelo clima quente da cidade. O ano de 2014, segundo a ONU, foi o mais quente registrado na Terra. Com isso, é comum que os paulistanos recorram à pratos mais frios. Já quando o clima está mais fresco, os pratos mais quentes é que ganham o favoritismo. Porém, não é só isso que influencia. Para alguns, os pratos asiáticos, principalmente os japoneses, são mais benéficos à saúde. “Não é só pelo clima, mas também porque as comidas japonesas e chinesas são mais leves e saudáveis, então, o paulistano opta por algo mais sadio”, explica Humberto Higa, gerente do restaurante Banri.

Em 2013, o jornal “Diário de S.Paulo” publicou uma matéria em que revelava que São Paulo já vendia mais sushi do que carne, e que existiam mais restaurantes especializados em sushis do que churrascarias. Para o cozinheiro Elisson Iwosaki, a explicação é clara: “Churrasco é um prato que qualquer um pode fazer em casa, mais ou menos acaba saindo, enquanto o sushi, não. O sushi você tem que ter uma técnica, ou no mínimo, estudar um pouco. Isso também ocorre pela facilidade de você fazer churrasco em casa. Então, quando você vai sair, você quer comer algo que você não consiga fazer”.

Jovens descendentes de japoneses fazem parte dos
amantes da culinária asiática (Foto: Paloma Amaral)
A disseminação da população oriental na cidade de São Paulo também conta para esse consumo. Segundo dados do Censo 2010, nos últimos dez anos, a quantidade da população que se declarou de raça ou cor amarela teve um aumento de 1,3 milhões de habitantes, equivalente ao município de Guarulhos. “Tem uma quantidade de orientais muito maior do que qualquer outro estado, então isso dissemina”, comenta Ingrid Salsa, advogada. 

O bairro da Liberdade abriga a maior comunidade nipônica fora do Japão em todo o mundo. Desde 1908, quando os primeiros imigrantes japoneses pisaram em solo brasileiro, os hábitos vindos da “Terra do Sol Nascente” vêm invadindo os costumes paulistas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo centro universitário FIAAM – FAAM, as estatísticas indicam que há preferências quanto às iguarias preparadas pelos japoneses para os brasileiros. Entre todas as opções, o prato mais consumido pelos brasileiros é o Sushi, escolhido em 78% dos casos. Por último fica o Sunomono, que consiste em verduras, algas, peixes ou frutos do mar temperados com vinagre e açúcar.

Pensando em expandir essa culinária para outros estados do Brasil, as opiniões se divergem. Tem gente que acredita que os pratos asiáticos podem invadir outros territórios. “Eu acho que vai atingir sim porque, pelo menos quando eu era criança, há uns 20 anos atrás, até o sushi e o sashimi era tido como algo muito exótico. Peixe cru, eca, que estranho esses japoneses, e hoje já domina, tudo muito rápido”, ressalta Elisson. Já para a belo-horizontina Ingrid, isso não acontecerá tão facilmente. “Se você levar essa franquia para outro estado, não fará tanto sucesso como aqui. Em Belo Horizonte, é uma comida mais cara e não tem tantas opções. Lá predomina mais a japonesa, tem muito sushi, e as vezes até self-service, mas não é tanto como aqui”.

Combinado de Sushi e Sashimi decorado, demonstrando a beleza da culinária japonesa (Foto: Paloma Amaral)

Outro dado importante levantado pela Hello Research é que os paulistanos independentemente da crise ainda consideram a Gastronomia (37%) como o principal item dentro da categoria Lazer. Porém, alguns restaurantes asiáticos não conseguiram lidar com a adversidade. Em setembro deste ano, o restaurante Satay, especializado em comidas tailandesas e vietnamitas, fechou as portas. Segundo os proprietários, os clientes mais fiéis sentiram falta dos pratos chineses. Por isso, é importante destacar que, por mais que a pesquisa dê a preferência para as comidas asiáticas como um todo, são as comidas da Ásia Oriental que fazem mais sucesso entre os paulistanos, de modo geral.


Food trucks mudam a cara da comida de rua

"Gourmetização" do segmento trouxe qualidade para os clientes e agregou valor à marca 

Michael Lopes

A nova febre entre os empreendedores brasileiros são as comidas de rua ‘gourmetizadas’, hoje, popularmente chamadas por food trucks, nomenclatura inspirada nos trailers de comida norte-americanos.

A comida de rua tinha um “dogma” de comida barata e de baixa qualidade. Porém, em 2008, em meio à crise econômica, muitos restaurantes norte-americanos e europeus fecharam as portas. Os chefs de cozinha viram neste segmento de rua uma saída para a crise, agregando valor e oferecendo pratos requintados, a um custo menor que o praticado em um restaurante.

Os food trucks ganharam força no Brasil, especialmente em São Paulo, em 2014 com a publicação da Lei 15.974/2013 que regulamentou a comercialização de alimentos em veículos automotores. Hoje, a capital paulistana já conta com mais de 600 food trucks em atividade, além dos food parks, são parques de alimentação a céu aberto que vendem comidas sobre rodas.

Só Coxinhas

Trailer do food truck "Só Coxinhas" (Foto: Reprodução)
A popularidade das coxinhas não está mais restrita as salgaterias, padarias e botecos. O food truck “Só Coxinhas” oferece o salgado mais popular do Brasil em copos, nos sabores tradicionais de frango e queijo, e as inovadoras coxinhas doces, feitas com massa de churros recheados com doce de leite e nutella.

Vlad Mello, um dos sócios do negócio, em entrevista ao portal UOL, disse que a maior preocupação do “Só Coxinhas” é que “o produto tem que chegar com qualidade na mão do cliente”, e ainda complementa dizendo que a ideia dele e dos sócios não era investir na coxinha e sim comercializar um produto de fácil manuseio. “As coxinhas são congeladas, e se acontecer de chegarmos em algum ponto sem movimento, não há risco de prejuízo", completa.

O food truck roda o Brasil oferecendo suas coxinhas, e os itinerários estão disponíveis nas redes sociais da empresa.

Fabiana Lopes, estudante de administração, aproveitou seu tempo de intervalo de aula e estava levando algumas coxinhas para seus colegas de sala. “Sempre segui eles no Facebook, e, por coincidência, eles vieram aqui pro Tucuruvi. Aproveitei a oportunidade para conhecer e comer muito”, relata.

Com preços que variam de 6 a 20 reais, o “Só Coxinhas” aceita pagamentos com cartão de débito, crédito e vale refeição.

Curso de gastronomia ganha popularidade entre os jovens

Realities culinários tem sido um dos principais motivos pelo interesse do curso


Karla Lima

O aumento da procura pelo curso de gastronomia nos últimos anos alcançou um forte espaço e influência no cenário cultural, conquistando cada vez mais a cabeça dos jovens. Mas, o que será que motiva os jovens com tantas outras opções no mercado?

Baseados em um dado bastante promissor referente ao mercado, 98% dos alunos se formam com emprego garantido e o salário inicial de um auxiliar de cozinha gira em torno de mil reais.

O prato preferido do jovem é CheeseCake (Foto: Karla Sthefany)
Um bom exemplo é o estudante Gustavo Rebouças, de 18 anos, que faz curso técnico de gastronomia há dois anos e conta que todos fazem um pouco de tudo por lá, aprendendo desde as histórias dos cortes e como são feitos os alimentos, fabricação e colheita destes.

Ele conta que seu interesse pela cozinha tomou forma quando pensou na satisfação das pessoas ao experimentarem sua comida. “Sempre gostei de deixar as pessoas felizes com o que eu faço e sempre fui apaixonado por comida. Quis aprender a fazer, e agora eu tenho a oportunidade de aprender tudo”.

Segundo o estudante, sua maior inspiração é seu professor. “Um verdadeiro exemplo de chef que o mundo tem hoje”, ressalta. “Também é uma pessoa muito boa fora da cozinha, mas dentro, todo o Chef tem que impor regras no cargo, como ele sempre fala: "Serviço é serviço, brincadeira só fora do trabalho”. O jeito que ele fala, age e tudo mais, isso me inspira muito.”

Sobre seus sonhos, ele deixa claro “Tenho vários, mas quero conhecer a Europa inteira, os Estados Unidos, ter meu próprio restaurante e uma carreira conhecida”.

Seu professor de curso é sua maior inspiração de Chef (Foto: Karla Sthefany)

Gustavo deixa um conselho para quem deseja seguir a carreira: “Siga essa profissão, pois cozinhar é a melhor coisa do mundo, uma das melhores sensações. Você se sente livre na hora de cozinhar, mas não tem que ter só paixão para trabalhar nesse ramo, tem que estar sempre disposto e ouvir muita bronca, xingamentos e muita humilhação porque você vai entrar na cozinha como um mero mortal, e para eles você tem que se destacar em tudo porque não vai ter quase ninguém para te ajudar lá. Essa é a vida na cozinha.”

sábado, 24 de outubro de 2015

Interior de São Paulo se rende aos food trucks, populares na capital

Um ótimo lugar para as pessoas diminuírem o estresse da cidade grande


Dafne Torrente

O novo modelo de venda de alimentos, conhecido como 'Food Truck', se resume a uma cozinha móvel sobre rodas que transporta e vende alimentos de forma itinerante. É encontrado em sua maioria nas cidades grandes, mas também pode ser visto no interior.
Chafariz Marco Zero - Bebedouro/SP
A cidade de Bebedouro, conhecida também como Cidade Coração, situada na região Norte do estado de São Paulo, e aproximadamente 383 km da capital, também possui a modalidade de food truck. O modelo é um pouco mais simples das encontradas na grande metrópole, são usados apenas trailers. Os comerciantes encontram-se na região do Lago, e em sua maioria, entorno da praça da prefeitura, com o maior público aos finais de semana.

Prefeitura de Bebedouro - Bebedouro/SP (Foto: Dafne Torrente)
Ricardo Moretto, de 29 anos, sócio- proprietário da Pamonhas Moretto, diz que a ideia de começar a vender milho surgiu há 23 anos, pois possui parentes que realiza a comercialização em outras cidades e em Bebedouro ainda não tinha ninguém que comercializava milho e seus derivados. No início, era apenas feira livre e atualmente realizam essa venda em outros momentos. Encontram-se na praça aos sábados e domingos, e vendem uma média de 1000 pamonhas, 400 curais, fora milho e derivados que não há contagem, devido a demanda. 

Ricardo informa que houve o aumento do público, ao contar desde o início das vendas até os dias de hoje. Porém, após a virada do ano, a demanda caiu, onde houve uma crise e o comércio de alimentos foi impactado. Com a chegada do final do ano e feriados, o comerciante tem expectativa de aumentar a venda, pois os familiares de seu público chegam a cidade e os clientes têm prazer em apresentar a comida.

Avenida do Lago, com seus trailers estacionados (Foto: Dafne Torrente)

No momento, Pamonhas Moretto encontra-se com um trailer e barracas. Ricardo almeja adquirir um caminhão e uma van, como é servido na capital.

Luciano, sócio-proprietário da Pronta Resposta, diz que prefere frequentar a praça do que restaurantes do shopping da cidade. Considera o atendimento melhor e gostou da variedade de comida. Katia, atendente de call center, veio a cidade a passeio e diz que o ambiente é bem legal, familiar, e mais aconchegante.

Nandão Lanches – Lago (Foto: Dafne Torrente)

Os food trucks no interior paulista tornou-se um ótimo lugar para as pessoas que passam a maior parte do tempo na formalidade. Ambiente com praças, lagos, monumentos históricos faz com que a descontração seja garantida e diminua o nível do estresse do dia a dia.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Paletas Mexicanas se tornam um fenômeno gastronômico entre os paulistas

Um dos principais desafios é se destacar da concorrência e se tornar uma referência no mercado


Paleteria Helado Monterrey localizada no Shopping Pátio Higienópolis (Foto: Fabio Augusto)

Fábio Augusto

Coloridas, artesanais e apetitosas. As paletas mexicanas se tornaram uma nova febre gastronômica no Brasil, e não há como resistir ao seu mix de cores e sabores, que vão dos frutados aos Premium. Para a maioria das paleterias, um dos principais desafios é se destacar da concorrência e se tornar uma referência no mercado. A produção de paletas para eventos é outra maneira de aumentar a receita das paleterias. Casamentos, festas de formatura e eventos corporativos são alguns exemplos.

As primeiras paletas surgiram na região de Tocumbo no México, no início dos anos 30, e depois se espalharam por todo o país. Foram criadas receitas naturais, desenvolvendo o produto com um elevado percentual de frutas, que favorece muito o seu sabor. As paletas se 'viralizaram' no gosto dos paulistas rapidamente, tornando-se comuns em alguns locais, como por exemplo: shoppings. Segundo o levantamento de um blog de São Paulo, existem, aproximadamente, 136 paleterias mexicanas espalhadas pela capital, sem contar os freezers de supermercados, padarias, bares, lanchonetes e até postos de gasolina.

A pioneira em adquirir este tipo de produto em São Paulo foi a "Los Hermanos Paleterias Mexicanas", que fica situada no bairro de Santana desde 2014, e tem o desejo de abrir mais quatro franquias pela Capital, duas na Avenida Paulista, uma em Guarulhos e outra em uma Outlet próximo a São Paulo. Logo depois desta unidade, foram criadas muitas outras para aumentar ainda mais o desejo da população experimentar um produto, até então, inédito aqui no Brasil. Somente a franquia Los Paleteros engloba 15 unidades por diversos cantos da capital, sendo que 13 unidades pertencem a diversos shoppings como Anália Franco, Aricanduva, Eldorado, Tatuapé, SP Market e entre outros.

“Foi uma surpresa quando conheci as paletas mexicanas porque aqui no Brasil estamos acostumados a consumir picolés de praia, e ver um produto como esse que tem 100% de fruta, e que não derrete fácil, é uma inovação para nós”, conta a funcionária Caroline que trabalha na franquia "Monterrey Helado Mexicano", alegando que antes de trabalhar com o produto não o conhecia.

Outra curiosidade é a escolha dos sabores. Cada um que vai até lá tem a sua preferência. “Aqui na Monterrey, temos três sabores que são os que saem mais. Eu classificaria, em primeiro, o de morango com recheio de leite condensado, em segundo, mousse de maracujá, e por último o de coco com recheio de brigadeiro, Estes são os mais vendidos, até mais do que os comuns de fruta”, completa.

Paletas de morango com leite condensado são as mais vendidas
(Foto: Divulgação)

Dentre as variadas lojas de São Paulo, a paleta mexicana é muito procurada, e as inovações não param. Os próprios donos das franquias inventam, para fugir dos sabores tradicionais, sabores exóticos, como por exemplo a "Los Ticos", que vende os sabores Tequila, Caipirinha e KitKat; a "Los Primos", com os sabores de Ovomaltine e Leite Ninho, e, pra finalizar, a "Los Paleteros" com as trufadas de Paçoca e de Romeu e Julieta.